16 November, 2009

Não consigo adicionar videos aqui. Registro Jesper Just.

http://www.youtube.com/watch_popup?v=PgsrPn0F754#t=187

http://www.youtube.com/watch?v=QJw2HsNR8kE

10 November, 2009

me chamaram de hoje de "menino prendado". achei bonito mas até um pouco estranho. Gosto de cozinhar minha comida, fazer meu próprio pão e meu próprio iogurte ( é verdade que este gosto nasceu a pouco, não interessa). Vivo falando nos corredores da faculdade que depois do doutorado vou mudar para o campo: plantar milho e criar galinhas (talvez influenciado pelo FarmVille). Talvez o "menino prendado" esteja relacionamento com uma tentativa de não-comportamento, coisa eu sempre priorizei em não ter. Sofre-se mais por isso, perde-se mais, bate-se mais a cabeça. "Menino prendado" talvez esteja ligado ao fato (facto) de procurar tempo para as coisas manuais onde se gaste mais tempo com coisas que sempre era bom gastar. Vou ali gastar mais um pouco. Preparar o jantar!

Podem me chamar
E me pedir e me rogar
E podem mesmo falar mal
Ficar de mal que não faz mal
Podem preparar
Milhões de festas ao luar
Que eu não vou ir
Melhor nem pedir
Eu não vou ir, não quero ir
E também podem me obrigar
Até sorrir, até chorar
e podem mesmo imaginar
O que melhor lhes parecer
Podem espalhar
Que eu estou cansado de viver
E que é uma pena
Para quem me conheceu
Eu sou mais você
E... eu


(vinícius e lyra)

18 October, 2009

Chatice! Deixa eu "rodrigar". o que era pra ser não foi. Culpa da culpa. Falta da falta. Perdem-se lágrimas, atiram-se chaves. Batem-se portas e calam-se. Mundo do silêncio, da angústia, de tantas coisas separadas por paredes e perfis na Internet. Faz-se pão e iogurtes. Abrem-se livros e teses. Não há nada. Servimos bacalhau com manjercão e copos de vinho. Bebemos na cara do inimigo. Peidamos. o Galo ganha. Mas é domingo. Podia ser praia, mas é blog. Podia ser cerveja, mas é água. Podia ser droga, mas é chocolote. Podia ser paz, mas é insatisfação. Costura-se para fora. Vende-se comida e sexo para fora. Não há delivery, o há números invertidos nem cuspe. Não há. Há o que? Há aulas, há trabalho, há espera, há o há. Mas podia nem existir. Ainda bem que há. Mas é leve, levedado, crescido pela força, pela química, pelo bolor. Podia ser 980 euros, mais ainda não é. Podia ser em novembro, mas talvez seja em dezembro. Podia acabar, mas tem que continuar. Podia te fuder, mas não há ereção, não há porra, não há. Mas há vida. Há sim.

15 October, 2009

E se você parasse de cantar fado e cantasse mambo? E se você largasse a escola para vender bala na esquina? E se você parasse de fumar Davidoff e começasse a mascar chicletes? E se você parasse de ler Nietzsche e abrisse uma revista Caras? E se as pessoas parassem de comer fora? E se você trocasse o El Corte Ingles pelo Minipreço? E se você parasse de beber leite magro e coca-cola zero? E se você deixasse de usar roupas da HM? E se você não se masturbasse mais? E se você deletasse seus perfis na Internet e cancelasse seu MSN? Por que você quer um Kindle? Por que você ouve Vampire Weekend? Por que você toma chá depois do jantar? E se você saísse de casa para encontrar amigos no jardim da Estrela? E se você deixasse de frequentar a Gulbekian para conhecer a Cova da Moura. E se você votasse todos os anos? Por que você insiste em ter uma cor de pele definida? Por quê você ainda lê rótulos? Qual a razão de deitar cedo? Qual a razão de reter peidos e arrotos? Qual a razão de comer com o garfo na mão esquerda? Por que você sempre come sobremesa? Por que você sempre ejacula? Como você consegue ver Tati e não sorrir? Por que você nunca chora? Como você dá conta de ler Quintana sem amar? Por que você não sublinha passagens dos livros que lê? Por que você copia os DVDs que você aluga? Você ainda dorme de pijama? Leva ovo cozido para a praia?

28 September, 2009

Com franqueza, não me animo a dizer que você não vá.

Eu, que sempre andei no rumo de minhas venetas, e tantas vezes troquei o sossego de uma casa pelo assanhamento triste dos ventos da vagabundagem, eu não direi que fique.

Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra. Você talvez esteja fugindo de si mesma, e a si mesma caçando; nesta brincadeira boba passamos todos, os inquietos, a maior parte da vida — e às vezes reparamos que é ela que se vai, está sempre indo, e nós (às vezes) estamos apenas quietos, vazios, parados, ficando. Assim estou eu. E não é sem melancolia que me preparo para ver você sumir na curva do rio — você que não chegou a entrar na minha vida, que não pisou na minha barranca, mas, por um instante, deu um movimento mais alegre à corrente, mais brilho às espumas e mais doçura ao murmúrio das águas. Foi um belo momento, que resultou triste, mas passou.

Apenas quero que dentro de si mesma haja, na hora de partir, uma determinação austera e suave de não esperar muito; de não pedir à viagem alegrias muito maiores que a de alguns momentos. Como este, sempre maravilhoso, em que no bojo da noite, na poltrona de um avião ou de um trem, ou no convés de um navio, a gente sente que não está deixando apenas uma cidade, mas uma parte da vida, uma pequena multidão de caras e problemas e inquietações que pareciam eternos e fatais e, de repente, somem como a nuvem que fica para trás. Esse instante de libertação é a grande recompensa do vagabundo; só mais tarde ele sente que uma pessoa é feita de muitas almas, e que várias, dele, ficaram penando na cidade abandonada. E há também instantes bons, em terra estrangeira, melhores que o das excitações e descobertas, e as súbitas visões de belezas sonhadas. São aqueles momentos mansos em que, de uma janela ou da mesa de um bar, ele vê, de repente, a cidade estranha, no palor do crepúsculo, respirar suavemente como velha amiga, e reconhece que aquele perfil de casas e chaminés já é um pouco, e docemente, coisa sua.

Mas há também, e não vale a pena esconder nem esquecer isso, aqueles momentos de solidão e de morno desespero; aquela surda saudade que não é de terra nem de gente, e é de tudo, é de um ar em que se fica mais distraído, é de um cheiro antigo de chuva na terra da infância, é de qualquer coisa esquecida e humilde - torresmo, moleque passando na bicicleta assobiando samba, goiabeira, conversa mole, peteca, qualquer bobagem. Mas então as bobagens do estrangeiro não rimam com a gente, as ruas são hostis e as casas se fecham com egoísmo, e a alegria dos outros que passam rindo e falando alto em sua língua dói no exilado como bofetadas injustas. Há o momento em que você defronta o telefone na mesa da cabeceira e não tem com quem falar, e olha a imensa lista de nomes desconhecidos com um tédio cruel.

Boa viagem, e passe bem. Minha ternura vagabunda e inútil, que se distribui por tanto lado, acompanha, pode estar certa, você.

Rubem Braga, Rio, abril de 1952.

Texto extraído do livro "A Borboleta Amarela", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1963, pág. 145.

19 August, 2009

Duas coisas cresceram em mim nestes dois anos em Portugal: a saudade e a barriga. A primeira representa a falta, a distância, o sentimento disperso, a diáspora, o nascimento, a vontade de estar perto, o aperto no coração, a dorzinha lá no fundo, a vontade de participar, o desejo de deixar de ver fotos e ouvir vozes eletrônicas. A segunda representa o amor à vida, à cerveja e à comida, representa o encontro, o casamento, o despreendimento, o azeite e o queijo. A saudade e a barriga, significam a vida verdadeira, cheia de sentimentos e vazia de estética. Representa, respectivamente, uma entrega, uma tentativa, e um anseio. Quero ver, tocar, sentir, conversar.Espera aí.

03 July, 2009

O SEF não é burocrata!

Sai da linha do blog para falar mal do SEF. Não usei citações, mas há pensamentos neste texto que são inferências minhas a partir da leitura de Baudrillard (Simulacros e Simulação), e do antropólogo português João de Pina Cabral. Perdoem-me todos os erros ortográficos.
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A burocracia é caracterizada pelo sistema hierárquico que a compõe onde, supostamente, seus membros executam, invariavelmente, regras e procedimentos PADRÕES, como engrenagens de uma máquina. A admnistração burocrática prevê muitas divisões, regras e procedimentos redundantes, que, na maioria das vezes, só servem para desmotivar, arrecadar fundos monetários e contribuir para que os que necessitam dela desistam de solicitá-la.

Em Portugal a coisa anda assim nas máquinas que sofrem da "buropatologia". Embora os órgãos admnistrativos tentem cumprir padrões, aqui os funcionários que representam estes órgãos, têm, deliberadamente, autonomia para decidirem como atender solicitações. De uma certa forma, a burocracia portuguesa encontrou uma maneira de delegar poder a quem não o tem. No nosso caso específico, enquanto imigrantes, cada funcionário decide a partir do seu livre-arbítrio, outorgado pela mãe burocrática, como quer resolver solicitações, sejam estas: atestados de residência, renovação de vistos, aberturas de contas bancárias, pagamentos de propinas universitárias, contratação de serviços e até mesmo abertura de crédito na Worten.

Dessas máquinas, a mais inquietante chama-se SEF ( Serviços de Estrangeiros e Fronteiras). A maneira com que muitos imigrantes são tratados ali demosntra que esta teoria perjorativa dada à burocracia é completamente aplicável. Cada funcionário tem seu "jeitinho" despadronizado de agir. É a forma que cada um encontrou de mandar no seu "quadrado" e assim exercer o poder sobre alguém que está em posição "inferior".

O atendimento do SEF é um exemplo de desqualificação de um sistema doente que, na tentativa de personalizar o atendimento aos usuários, prejudica o interesse coletivo de uma multiculturalidade que a Europa nunca conseguiu admitir existir.

Sai do SEF hoje, depois da terceira tentativa, com uma nova lista de docs para renovação do meu visto de estudos, com mais uma data marcada e com os documentos vencidos. Me mantiveram à mercê dela: ou eu me submeto e pago mais taxas ou eu volto para o Brasil.

Este post é apenas mais um ato de protesto contra a falta de respeito de um órgão representativo do país (SEF) juntos aos imigrantes. É simplesmente, uma falta de vergonha, a política internacional de imigração, pelo fato de Portugal, constituído como Estado-Nação, não conseguir suportar o peso que foi procurado pelos próprios, durante o período de recolonolização do Brasil, África, Macau, e etc. Ou seja, é um fato inevitável que estes países, depois deste processo e com a indepedência de cada um, queiram explorar as terras de seu antigo "colonizador. Mas, a questão é que Portugal não está preparado, e não tem políticas suficientes, para se relacionar com a vasta situação que os imigrantes oferecem às suas máquinas. Isso para não falarmos da falta de preparo social que os portugueses têm em relação a aceitar, solidariamente, a presença de imigrantes em seu País.

30 June, 2009

É assim, não mudei minha foto no Orkut para a do falecido rei do pop, nem alterei meu perfil no facebook. Muito menos escrevi míseros 140 caracteres no twitter sobre o fato, ou será facto. Ai, acordo ortográfico, vida em Portugal, confusão. Mas se eu moro em Portugal e sou brasileiro? É facto aqui e fato no Brasil. Fico no meio da linguagem, no meio do caminho, mas tudo continua a ser ótimo e não óptimo. Conversa fiada.

06 June, 2009

Eu sou da América Latina, não tenho dinheiro no bolso, vim do interior e não tenho parentes importantes.

28 May, 2009

Há tempo, muito tempo que estou longe de casa. Tudo isso por causa de ti. Sim. Larguei filhos, amigos, parentes, moedas e meu ventilador. Deixei tudo em caixas de papel amarelo, amarrado com fitas adesivas. Ontem minha mãe me ligou e disse que viu coisas caírem das caixas, como se estivessem fartas de estarem presas. Como eu. Preso em mini-sonhos, mini-pretensões e mini-falsidades. Por causa do tempo, por causa do espaço e por causa da falta de acento de interrogação que falta neste teclado. Tento fazer perguntas que parecem afirmações por que me falta o til, as aspas, o apostrófo e a exclamação. Falta-me nada. Eu sei. É que às vezes tem coisas demais fora das caixas. Vou ligar para minha mãe hoje.

08 April, 2009

Um cigarro, Maria Callas, lápis de cor e um papel em branco. É como se o vento tivesse nome e eu não conseguisse gritar e tudo ficasse mais calmo. Mas alivia-me quando sento-me em frente à sanita e não consigo produzir nada. Nem merda. Mas me preocupa se na minha cabeça há coisas a mais e palavras de menos. Volto a sentar em frente às letras e escritos, a olhar com desejo incessante de tudo calar. Seca-me, como se fosse o sol do Brasil e esfria-me como se fosse o frio de Nepal. Faz isso por mim. Ou me beija sem parar, até fazer de mim um cálice qualquer. Daqueles que se bebem Ginja. Faz escorrer teu suor de ativista no meu peito e depois limpa-me com lenços umedecidos. Anda. E esquece as notícias erradas. Dá-me coisas belas, como as cores de Monet. Dá-me. Retira-me as lágrimas suspensas pela opressão e pela distância. Usa teus nítidos gestos em meu favor e sela minha carta de desespero. Ajuda-me a cair feliz e a sentir dores queridas, com cheiro de relva fresca. Apaga o teu sangue da minha escória, antes que eu adormeça esquecido no meu ventre em pulos. Faça isto apenas. Vem até minha cama e deite-se do meu lado, silencioso e hostil, com músculos rijos e tênues. Faça tudo com discrição. Sem gemidos, gritos ou suspiros. Toque o interruptor com leveza e não faça barulho ao acender a lâmpada. Assim evitas o mal-estar, a sociedade e o CTI. 

05 April, 2009

Meu querido diário, hoje acordei suspeito. Deitei-me depois das tantas e acordei depois dos tais. O dia está em sol arado, mas parece que vai melhorar. Não quero continuar este post!

31 March, 2009

Aqui na rua duas mulheres olham para o chão e entram num impasse colossal: Isto é um cagalhão menina. Olha aí o cagalhão, cuidado para nao carimbar com o pé. Não é cagalhão nada, ó menina! É sim, é cagalhão. Ta aí, no meio da areia. É cagalhão, ó pá. 


27 March, 2009

CLIMA 1

Hoje estou neste clima:


Eu vou sabotar. Você vai se azarar. O que eu não ganho eu leso. Ninguém vai me gozar, não jamais !!

Eu vou sabotar. Vou casar com ele. Vou trepar na escada. Pra pintar seu nome no céu

Ninguém vai dizer.  Que eu deixei barato. Vou me ligar em outra. Te dizer bye bye, até nunca, jamais.

Eu quero que você se... top top top UH!